A rainha Elizabeth não usa calça skinny

Compliance e Governança Trabalhista
10 de junho de 2021

A rainha Elizabeth não usa calça skinny

E a integração de diferentes gerações no meio corporativo

 

Bem na verdade, a rainha da Inglaterra não usa nenhum tipo de calça, raras exceções numa cirurgia do joelho ou em outra ocasião nos anos 70. Diferente de outras monarquias que já adquiriram o uso, ela ainda se mantém fiel ao seu código de vestimentas reais e dita a moda por lá à sua maneira. 

Quase centenária, com seus 95 anos, ela já passou por todas as classificações de gerações que temos no momento. 

Baby Boomers, x, y e z,  que mais parecem uma fórmula matemática, mas são as definições das diferentes gerações e seus comportamentos influenciados pelos acontecimentos culturais, políticos, econômicos e sociais que estão dando o que falar e colecionando memes na internet, inclusive a polêmica palavra inglesa cringe,  que veio da terra da rainha, e é usada pela geração Z para definir o que é brega, hábito antigo ou vergonhoso.

 

Mas como essas gerações se comportam?

Começando pelos nascidos entre 1946 e 1964, que hoje têm entre 57 e 75 anos, são os chamados Baby Boomers (por conta do boom de nascimentos após o fim da Segunda Guerra). A criação caracterizada pela rigidez do pós-guerra resultou em pessoas focadas, que valorizam a estabilidade financeira, a melhora na qualidade de vida, a família, e são obstinados no trabalho.

 

Já a geração X, se caracteriza pela valorização da capacitação do diploma e estabilidade profissional. São os nascidos entre 1965 e 1980, hoje com 41 e 56 anos, e que presenciaram acontecimentos importantes como a Guerra Fria, a onda hippie, o desenvolvimento industrial e a ditadura militar no Brasil.

 

Os  Millennials passaram pelo novo milênio, também chamados de geração Y, nasceram entre 1981 e 1996, têm entre 25 e 40 anos, presenciaram uma fase de transição tecnológica e na sua maioria contrariam as gerações anteriores nos quesitos estabilidade na carreira ou foco na família. São alinhados com causas sociais e não priorizam o trabalho intenso, já acostumados com a tecnologia, são questionadores, multitarefas, impulsivos, competitivos e focam no  rápido crescimento financeiro e profissional.

 

Os nascidos entre  1997 e 2010, estão sempre on-line, são  multifocais e aprendem de diversas maneiras, a chamada  geração Z convive com a internet desde criança, são midiáticos em tempo real, engajados em questões ambientais, estão chegando ou ainda vão entrar no mercado de trabalho e aparentemente mais conservadores que a geração Y.

 

E por último temos geração Alfa, influenciados mais intensamente pela tecnologia, são os nascidos a partir de 2010, crianças dinâmicas e ativas que gostam de protagonismo, são ágeis, habilidosas, além de curiosas na busca de informações e soluções pelos meios digitais.

 

O mundo corporativo é um lugar comum para todas essas gerações, mas como funciona o diálogo em meio as segmentações?

A publicitária e atriz Ana Alves, relata de maneira divertida esse estranhamento geracional no trabalho, ela precisou se reinventar profissionalmente e tentar, aos 34 anos, exercer sua função de formação, que pela falta de recursos para se manter em um estágio, a fez trabalhar em diferentes áreas para pagar a faculdade, o que dificultou contratações. Então, depois de 10 anos de formada, viu uma vaga em uma agência e resolveu tentar do começo.

 

“Eu me senti como no filme – Um Senhor Estagiário. Todos na mesma função que eu eram mais novos. A dona da agência tinha um pouco menos da minha idade. E no meu segundo dia eu passei vergonha na frente de muitos colegas, escorreguei no sabão em pó, passado no chão pela diarista, e caí, então descobri que ninguém na agência usava salto.

Mas o mais engraçado eram as conversas. Você tem carro? Você deve ser bem de vida. E eu respondia: quando você chegar na minha idade daqui uns 15 anos, você também vai ter conquistado muitas coisas – Então faz tempo que você não anda de ônibus? Faz… quanto tá a passagem mesmo?

Essas conversas foram acompanhadas no começo, por uma relação arisca de ambas as partes eu diria, eu por achar que estava exagerando nas roupas ou me sentindo meio maternal, e meus colegas por estranharem uma pessoa de carro, salto e 15 anos de diferença, recomeçando. Eu era definitivamente o Robert De Niro do filme.

Mas confesso que em agilidade e simplificação de pensamento eles eram mais rápidos. A minha geração publicitária era mais minuciosa para pensar conceitos, e as redes sociais ainda eram um meio em evolução. E a geração atual estava acostumada com ideias fast food rápidas para postagens urgentes. Aprendi a simplificar processos.

Acredito que minha passada por lá, trouxe alguns ensinamentos, eu aprendi a usar o Spotify, e as meninas fizeram o dia do salto”.

 

Este relato mostra, que mesmo com estranhamentos geracionais é possível a troca, e extrair o melhor de cada um. O modo de operar o pensamento, e a forma  “diferente” de resolução de uma outra pessoa, te força a ver as coisas com outro prisma do que já se aprendeu ou está acostumado, e isso pode trazer crescimento e automação, uma geração anterior pode ensinar um pouco mais de paciência e a outra mais nova, facilitadores de processos.

 

Ou vice versa.

 

Mas a rainha provavelmente nunca usará calça skinny, o que também acontece, nem sempre as influências são bem aceitas, mas isso não precisa ser motivo de exclusão, e sim de adaptação. Em qualquer ambiente, incluindo o corporativo, quando se trata de diferenças, equilíbrio, flexibilidade e respeito sempre tendem a amenizar diálogos conflituosos e relações que aparentemente seriam complicadas. E também, nada que uma playlist do Queen não amenize, no Spotify é claro, imagina ninguém usa mais discos é muito cringe.