Setembro amarelo – Conversa aberta sobre suicídio

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Setembro amarelo – Conversa aberta sobre suicídio

Solidão, medo, angústia, tédio, estresse. O que é que você sente? Tem clareza sobre o que está te afetando nesse momento? Hoje eu gostaria de falar sobre o suicídio. Afinal, com a campanha do Setembro Amarelo, estamos vendo uma movimentação maciça sobre a prevenção desse fenômeno. Observe que usei a palavra ‘fenômeno’, mas poderia ter usado a palavra ‘mal’. Suicídio é um mal?

A rigor, afirmar que ele não é um mal não significa que ele é um bem e que as pessoas devam sair por aí dando cabo à própria vida. Ocorre que esse fenômeno é um sintoma e não a causa; difícil é encontrar algum espaço que ‘autorize’ as pessoas falarem desse tema, sem que caia na esfera do ‘não sinta isso’. Considero que esse sim é um mal a ser combatido nas nossas relações: não sinta, não fale.

setembro amarelo

O terror das pessoas, atualmente, e isso é da contemporaneidade, é que elas não sejam felizes – como dizem por aí que são. Na velocidade do tempo que vivemos as nossas relações, perdemos a própria noção de historicidade, de quem somos e como somos constituídos. A pergunta central não é se você é feliz ou não, mas qual é a noção de felicidade que você tem? Já parou para pensar? A tua noção de felicidade deixa a tua existência ‘confortável’ ou você sente desesperança, que não será feliz, que não há opções para você, que é melhor dar um fim em tudo isso. Pense!

Desconfio das razões, mas sigo tentando compreender o motivo que nos leva a esconder nossos sentimentos. Penso isso, porque entendo que se uma pessoa está olhando para o fim da própria vida como uma possibilidade, quanta coisa não foi dita, não foi esclarecida, não foi nominada (sabemos muito pouco sobre nossos sentimentos) – pois não somos ensinados a sentir nem a falar de sentimento.

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Esse fingimento, essa hipocrisia doentia, esse cinismo que ronda a faculdade que queremos entrar, o trabalho que desejamos ou exercemos, a família que buscamos construir é uma relação malograda com o mundo marcado pela negação da angústia, pela fuga do nada, do não ser e pela busca desenfreada pela felicidade. O que isso quer dizer? Falo sobre a necessidade em refletirmos sobre nossas ansiedades, sobre os medos que nos afetam, a angústia que não conseguimos lidar, a decepção que nos derrubou no momento em que era preciso ser forte. Tudo isso é humano e invariavelmente você topará com isso um dia.

O que transforma os dilemas humanos em coisas insolúveis é o modo com que gerenciamos isso tudo. O sentido que dou aos meus problemas define os caminhos que posso tomar e se vejo algum caminho a tomar. Portanto, a solidão, o medo, a tristeza, a angústia que talvez hoje você encare como o fim das suas possibilidades é, na verdade, a metade do caminho e não o fim dele. A transformação desse cenário, que é sim atormentador, mas que é possível enfrentar, depende de que você se permita sentir e falar o que te aflige. Permita-se para tornar-se.

 

Jefferson Oliveira, Psicólogo Sagicon

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